"... não devemos transformá-la em uma data cronológica para marcar a volta de Cristo, pois Jesus ensinou que ninguém sabe o dia nem a hora".
O GRANDE SÁBADO DE DEUS
Do descanso da criação ao descanso do milênio
Texto principal:
“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.”
Hebreus 4:9
Textos de apoio
Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11; Levítico 25:1-7; Isaías 66:22-23; Apocalipse 20:1-6.
INTRODUÇÃO — DEUS SEMPRE TEVE UM PLANO DE DESCANSO
Vivemos em um mundo cansado.
Cansado física, emocional e espiritualmente.
Há pessoas cansadas de lutar.
Cansadas de esperar.
Cansadas de trabalhar.
Cansadas de sofrer.
Cansadas de orar sem aparentemente receber uma resposta.
Mas existe algo extraordinário na Bíblia:
Deus criou o descanso antes de criar o cansaço.
O primeiro sábado da história não foi criado porque o homem estava exausto.
Adão nem sequer havia trabalhado seis dias.
O sábado foi estabelecido por Deus como parte do próprio projeto da criação.
“E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito.”
Gênesis 2:2.
Deus não descansou porque estava cansado.
Deus descansou para estabelecer um encontro entre o Criador e a criatura.
O sábado não é simplesmente um intervalo entre seis dias de trabalho.
O sábado é um sinal de que Deus é o Senhor do tempo.
E talvez exista uma mensagem profética nisso.
A Bíblia começa com um descanso.
E a história humana também terminará com um descanso.
1. O PRIMEIRO SÁBADO — DEUS TERMINOU A OBRA
Gênesis 2 apresenta uma cena maravilhosa.
Deus havia criado os céus.
A terra.
Os mares.
As plantas.
Os animais.
E finalmente o ser humano.
Então chega o sétimo dia.
E Deus descansa.
Por quê?
Porque a obra estava terminada.
Observe essa expressão:
“Havendo Deus terminado...”
O descanso vem depois da obra concluída.
Isso contém uma poderosa mensagem espiritual.
O ser humano não começou sua existência trabalhando para conquistar o amor de Deus.
Ele começou sua existência descansando na obra que Deus havia terminado.
Isso aponta diretamente para Cristo.
Na cruz, Jesus declarou:
“Está consumado!”
João 19:30.
Na criação:
A obra terminou → veio o descanso.
Na redenção:
A obra foi consumada → podemos descansar em Cristo.
O sábado, portanto, também nos lembra:
Não somos salvos pelo que fazemos; somos salvos pelo que Cristo fez.
O sábado diz ao homem:
“Pare de tentar ser o seu próprio salvador.”
“Pare de carregar aquilo que Deus já prometeu carregar.”
“Pare de tentar comprar com obras aquilo que Deus oferece pela graça.”
Descanse em Cristo.
2. O SÁBADO FOI COLOCADO NO CENTRO DOS DEZ MANDAMENTOS
Quando Deus entregou os Dez Mandamentos, Ele dedicou um mandamento inteiro ao descanso.
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.”
Êxodo 20:8.
É interessante a primeira palavra:
Lembra-te.
Por quê?
Porque Deus sabia que o ser humano esqueceria.
Esqueceria do Criador.
Esqueceria sua origem.
Esqueceria sua dependência.
Esqueceria que não é uma máquina de produzir.
O sábado é uma interrupção divina na corrida humana.
Durante seis dias, o homem diz:
“Preciso trabalhar.”
No sábado, Deus diz:
“Agora pare e lembre-se de quem Eu sou.”
Você não é aquilo que produz.
Você não é seu salário.
Você não é sua posição.
Você não é seus problemas.
Você é uma criatura feita à imagem de Deus.
E existe um Criador que deseja ter comunhão com você.
3. DEUS NÃO CRIOU APENAS O SÁBADO — CRIOU TAMBÉM O ANO SABÁTICO
Aqui encontramos uma dimensão ainda mais profunda.
Em Levítico 25, Deus estabelece o ano sabático.
Durante seis anos, Israel cultivaria a terra.
Mas no sétimo ano, a terra deveria descansar.
“Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra.”
Levítico 25:4.
Perceba novamente o padrão:
Seis → trabalho.
Sétimo → descanso.
Isso aparece no dia.
E aparece no ciclo agrícola.
Deus estava ensinando a Israel:
“A terra não pertence a vocês. Ela pertence a Mim.”
O homem poderia trabalhar seis anos.
Mas no sétimo deveria parar.
Isso exigia fé.
Porque alguém poderia perguntar:
“Se eu não plantar, o que vou comer?”
E Deus estava ensinando:
“Você não vive apenas daquilo que suas mãos conseguem produzir.”
O ano sabático era uma escola de confiança.
4. O JUBILEU — QUANDO DEUS DIZ: “COMECE NOVAMENTE”
E então aparece outro princípio extraordinário.
Depois de sete semanas de anos — quarenta e nove anos — vinha o quinquagésimo:
o ano do jubileu.
Era um tempo de libertação.
A terra retornava às suas condições estabelecidas.
Havia restauração.
Havia recomeço.
Havia liberdade.
Isso nos ajuda a compreender algo sobre o caráter de Deus.
Deus não é apenas o Deus que cria.
Ele é o Deus que restaura.
Ele não apenas inicia histórias.
Ele também sabe terminar ciclos.
Ele não apenas planta.
Ele também sabe trazer colheitas.
E, finalmente, Ele colocará fim ao grande ciclo do pecado.
5. O PECADO TRANSFORMOU O DESCANSO EM CANSAÇO
Depois da entrada do pecado, o mundo mudou.
Gênesis 3 registra:
“Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento...”
Gênesis 3:17.
O trabalho, que originalmente era uma bênção, passou a ser acompanhado de sofrimento.
A morte entrou.
A dor entrou.
As lágrimas entraram.
A separação entrou.
O medo entrou.
E o homem passou a viver tentando reconstruir aquilo que havia perdido.
Desde então, a humanidade procura descanso.
Mas procura em lugares errados.
Alguns procuram no dinheiro.
Outros no prazer.
Outros no poder.
Outros em relacionamentos.
Outros em realizações.
Mas nada disso consegue produzir o descanso definitivo.
Porque existe um vazio que somente Deus pode preencher.
6. CRISTO É O DESCANSO QUE O PECADOR PROCURA
Jesus fez um convite maravilhoso:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”
Mateus 11:28.
Observe:
Jesus não disse:
“Venham a Mim quando vocês resolverem seus problemas.”
Não disse:
“Venham quando vocês forem perfeitos.”
Não disse:
“Venham quando vocês merecerem.”
Ele disse:
“Vinde a mim.”
O descanso começa em uma pessoa.
Jesus Cristo.
O sábado aponta para o Criador.
E o Criador veio ao nosso mundo.
O Deus que estabeleceu o descanso no Éden entrou na história humana para oferecer descanso ao pecador.
7. E ENTÃO CHEGAMOS À PROFECIA DOS SEIS MIL ANOS
Aqui entramos em um tema particularmente interessante dentro da tradição adventista.
Ellen G. White utiliza, em alguns de seus escritos, a linguagem de um período de aproximadamente seis mil anos de pecado e conflito, seguido pelo período em que Satanás ficará restrito durante o milênio.
Essa interpretação foi relacionada por muitos adventistas ao padrão:
seis → trabalho/conflito
sétimo → descanso
É uma imagem teológica muito poderosa.
Mas precisamos ter cuidado.
Não devemos usar essa ideia para calcular uma data para a volta de Jesus.
Cristo foi claro:
“Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe.”
Mateus 24:36.
Portanto, a mensagem não é:
“Descubra quando terminam os seis mil anos.”
A mensagem é:
“Prepare-se para encontrar Cristo.”
Não somos chamados a marcar a data.
Somos chamados a estar prontos.
8. O MILÊNIO — O GRANDE SÁBADO
Apocalipse 20 apresenta o período de mil anos.
João vê Satanás preso e os santos reinando com Cristo.
“E viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.”
Apocalipse 20:4.
Dentro da compreensão adventista, esse milênio acontece no Céu, enquanto a Terra permanece desolada e Satanás fica sem ninguém para enganar.
É como se a história do grande conflito chegasse a uma grande pausa.
Durante seis dias:
trabalho.
No sétimo:
sábado.
Durante a semana:
atividade.
No sábado:
comunhão.
Durante a história do pecado:
conflito.
No milênio:
pausa no conflito terrestre.
Que imagem extraordinária!
O sábado semanal pode ser visto como uma pequena janela que nos permite contemplar uma realidade muito maior:
um dia Deus dará ao Seu povo descanso completo do pecado.
9. O MILÊNIO NÃO É O FIM — É O DESCANSO ANTES DA RESTAURAÇÃO FINAL
Aqui existe uma diferença importante.
O milênio não é ainda a Nova Terra.
Apocalipse 20 termina com o juízo final.
Depois disso, Apocalipse 21 apresenta:
“Vi novo céu e nova terra.”
Então Deus fará novas todas as coisas.
Não haverá mais:
morte,
dor,
choro,
separação,
pecado.
Apocalipse 21:4 declara:
“E a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor.”
Esse é o verdadeiro descanso.
Não apenas mil anos.
Eternidade.
10. O SÁBADO É UMA ANTECIPAÇÃO DO MUNDO QUE VIRÁ
Isaías apresenta uma visão maravilhosa:
“De um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor.”
Isaías 66:23.
Imagine isso.
O sábado esteve no Éden.
O sábado acompanhou Israel.
O sábado foi reafirmado nos Dez Mandamentos.
O sábado acompanhou Jesus.
O sábado continua sendo uma bênção para o povo de Deus.
E, na visão profética de Isaías, o sábado aparece também no contexto da Nova Terra.
Isso nos mostra que o sábado não é apenas uma lembrança do passado.
Ele também aponta para o futuro.
Cada sábado pode ser uma pequena antecipação daquela realidade eterna.
11. O QUE DEUS ESTÁ DIZENDO À IGREJA HOJE?
Talvez a pergunta não seja:
“Quando terminam exatamente os seis mil anos?”
A pergunta mais importante é:
“Estou descansando em Cristo?”
Porque podemos guardar o sábado e ainda não descansar.
Podemos estar fisicamente parados e espiritualmente agitados.
Podemos deixar o trabalho e continuar carregando ansiedade.
Podemos fechar o computador e continuar trabalhando mentalmente.
Podemos estar na igreja e ainda carregar o mundo inteiro sobre os ombros.
Por isso Jesus diz:
“Vinde a mim.”
O verdadeiro descanso sabático começa quando entregamos nossa vida ao Criador.
12. O MUNDO ESTÁ CANSADO — E A IGREJA PRECISA ANUNCIAR DESCANSO
Existe uma mensagem adventista extraordinária para um mundo cansado.
Apocalipse 14 apresenta a mensagem dos três anjos.
E no centro dela está:
“Temei a Deus e dai-lhe glória... e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar...”
Apocalipse 14:7.
Quem devemos adorar?
Aquele que criou.
Isso nos leva novamente a Gênesis.
E nos leva novamente ao sábado.
O mundo precisa ouvir:
Vocês não são produtos do acaso.
Existe um Criador.
Vocês pertencem a Ele.
A história não está fora de controle.
Jesus está voltando.
O pecado terá fim.
O povo de Deus terá descanso.
CONCLUSÃO — O ÚLTIMO SÁBADO
Imagine o último grande sábado deste mundo.
Não haverá hospital.
Não haverá cemitério.
Não haverá notícia de guerra.
Não haverá mãe chorando por um filho.
Não haverá filho chorando por um pai.
Não haverá diagnóstico.
Não haverá despedida.
Não haverá pecado.
Não haverá Satanás para tentar.
Não haverá morte para separar.
Cristo estará presente.
E finalmente compreenderemos plenamente aquilo que o sábado sempre tentou nos ensinar:
Deus é suficiente.
Durante seis milênios — na linguagem da interpretação adventista — a humanidade experimentou o peso do pecado.
Mas chegará o momento em que Cristo dirá:
“Chega.”
A história do pecado terminará.
O grande conflito terminará.
O sofrimento terminará.
E começará uma eternidade de comunhão com Deus.
APELO
Meu irmão, minha irmã:
Talvez você esteja cansado.
Cansado de lutar.
Cansado de esperar.
Cansado de carregar sozinho seus problemas.
Hoje Jesus não está dizendo:
“Trabalhe mais.”
Ele está dizendo:
“Vinde a mim.”
O sábado é um convite.
O milênio é uma promessa.
A segunda vinda é uma esperança.
A Nova Terra é o destino.
E Cristo é o caminho.
Não sabemos o dia nem a hora da volta de Jesus.
Mas sabemos uma coisa:
Ele está voltando.
E quando Ele voltar, o maior sábado da história começará.
Por isso, a pergunta não é:
“Quando serão completados seis mil anos?”
A pergunta é:
“Quando Jesus voltar, eu estarei entre aqueles que descansam nEle?”
Que nossa resposta seja:
“Sim, Senhor. Eu quero estar preparado.”
Frase final para a igreja
“O sábado nos lembra que Deus terminou a criação; a cruz nos lembra que Cristo terminou a redenção; o milênio nos lembra que o pecado terá uma pausa; e a Nova Terra nos promete que, finalmente, o povo de Deus descansará para sempre.”
Amém.
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